As perguntas dos outros

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por José Pedro Frazão | publicado às 11:28

Qual o interesse da Cimeira para os portugueses ?
Como está a ser garantida a segurança em Lisboa ?
Quais os principais temas da Cimeira ?

Os nossos repórteres já responderam esta manhã a estas e outras questões de uma estação de televisão da Geórgia e de uma rádio de Moscovo.





Nato: Lord Ismay tinha razão?

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por Renascença | publicado às 21:31

Lord Ismay, o primeiro secretário geral da Nato, descrevia cirúrgicamente a ideia original na base da organização: "para ter os russos fora, os americanos dentro e os alemães controlados".

De então para cá o mundo mudou. A União Soviética já não existe. A Rússia está mais longe 1000 Km. A Alemanha autocontrolou-se e controla a economia.

O momento é de plena convulsão geopolítica que produz fissuras nas placas tectónicas do poder mundial. Há também deslizamento de móveis na casa comum europeia.

Na União vê-se como avançam tentativas de governação económica, enquanto se reduz a acção política. Em Lisboa, a Nato reiventa-se com o novo conceito estratégico, o terceiro desde o fim da Guerra Fria.

A boa notícia é a de que a Nato quer continuar a ser uma aliança defensiva assente no celebérrimo artigo 5: um ataque a um membro é um ataque a todos.

Afasta-se a tese rumsfeldiana de uma aliança neocon a actuar como polícia mundial. Será, talvez, mais corpo de bombeiros sapadores e menos polícia de intervenção.

Mas o futuro também carrega a nova Nato 3.0 de dúvidas. Um exemplo: em que altura um ciber-ataque envolve o artido 5 ?

Ponto alto de Lisboa pode ser, também, o abraço à Rússia e o fim definitivo da guerra fria.

A criação do escudo anti-mísseis euroatlântico com eventual participação de Moscovo não deixa, contudo, de levantar dúvidas no Kremlin. Aí, os falcões de Putin não esquecem quem venceu a guerra fria e quem, ainda em 2008, pressionava as suas fronteiras, na Geórgia.

Javier Solana diz que um abraço de Lisboa à Rússia chega para conferir sentido à Nato na próxima década. Mas afinal querem-nos parceiros ou aliados? perguntará o Kremlin.

Verdade é que a Rússia, de quem o imperador Leopoldo III dizia ter apenas dois amigos, o seu exército e a sua marinha, pode sair de Lisboa com novos parceiros e "ficar dentro".

A ser assim, se Lord Ismay, estivesse no Parque das Nações bem poderia alertar para o desafio do futuro mais distante: como redesenhar a Nato para que - com alemães auto-controlados - os americanos não queiram nunca "ficar fora"?.

JOSÉ BASTOS





Uma retirada "con dolor"

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por José Pedro Frazão | publicado às 03:09

É mais um passo na dança das datas afegãs.

O ELPAIS faz hoje manchete da "data espanhola" de retirada. A acreditar neste calendário, Zapatero consegue apresentar-se a eleições em 2012 com esse facto consumado.
Não será certamente o grande tema do debate aqui ao lado. Curiosamente, o PM espanhol acaba de fazer apenas a sua segunda visita ao terreno em seis anos.
Quando chegarmos a 2012, terão passado dez anos sobre o início da missão espanhola no Afeganistão. É o teatro de guerra mais mortífero das últimas décadas para os nossos vizinhos.

A maioria dos militares  morreu em desastres aéreos, curiosamente. Mas 92 mortos são 92 mortos.





Dois dias (muito diferentes)

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por José Pedro Frazão | publicado às 20:07

Lisboa acolhe no próximo fim-de-semana uma das reuniões mais importantes do ano na politica internacional.

A Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Nato tem lugar na FIL no Parque das Nações em Lisboa. À beira-Tejo, os líderes dos países membros da Aliança Atlântica vão debater um novo rumo para a Organização a quase todos os níveis.

Em Lisboa, será aprovado um novo Conceito Estratégico que guiará a Nato nos próximos dez anos, com novas áreas de defesa que passam pela ciber-segurança ou a defesa anti-missil. Será debatida a reforma da Nato, definindo a arquitectura da nova estrutura de comandos.

Da Cimeira sairá também uma nova estratégia para a missão no Afeganistão. Os aliados desejam acelerar a transição em 2011, dez anos depois do início da Guerra, completando-a em 2014. Em Lisboa, terá lugar uma sessão especial dedicada a este tema, com a presença do Presidente do Afeganistão e do Secretário Geral das Nações Unidas.

Para elevar a ambição da agenda, foi convocado para Lisboa um Conselho Nato/Rússia. É uma reunião importante para estabelecer uma relação de cooperação entre a Aliança e o seu arqui-inimigo da Guerra Fria. Definir o papel da Russia no sistema-antimíssil da Europa, no desarmamento nuclear e até na missão afegã são os motivos da presença do Dmitri Medvedev em Lisboa, três anos depois de Putin ter estado em Mafra, na cimeira U.E. – Rússia.

Fechada a Cimeira da Nato, terá ainda lugar em Lisboa a Cimeira União Europeia /Estados Unidos, que irá centrar-se na cooperação em politica externa e economia.

Barack Obama será a “estrela das estrelas” dos dois dias de reuniões em Lisboa. Mas também aquele que tem a agenda mais carregada. O Presidente norte-americano começa a sua estadia com uma “visita bilateral”, que inclui reuniões com Cavaco Silva em Belém e José Sócrates em São Bento. É também o regresso de um presidente norte-americano a Lisboa (Bush esteve apenas nos Açores) dez anos depois da visita de Bill Clinton.


A Cimeira da Nato, a primeira organizada em Portugal, terá forte impacto em todo o mundo. Esperam-se manifestações mas também protestos menos pacíficos num contexto de alta segurança. A maior operação policial de sempre em Portugal implicará constrangimentos de circulação e medidas preventivas de segurança.