por José Pedro Frazão | publicado às 20:07
Lisboa acolhe no próximo fim-de-semana uma das reuniões mais importantes do ano na politica internacional.
A Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Nato tem lugar na FIL no Parque das Nações em Lisboa. À beira-Tejo, os líderes dos países membros da Aliança Atlântica vão debater um novo rumo para a Organização a quase todos os níveis.
Em Lisboa, será aprovado um novo Conceito Estratégico que guiará a Nato nos próximos dez anos, com novas áreas de defesa que passam pela ciber-segurança ou a defesa anti-missil. Será debatida a reforma da Nato, definindo a arquitectura da nova estrutura de comandos.
Da Cimeira sairá também uma nova estratégia para a missão no Afeganistão. Os aliados desejam acelerar a transição em 2011, dez anos depois do início da Guerra, completando-a em 2014. Em Lisboa, terá lugar uma sessão especial dedicada a este tema, com a presença do Presidente do Afeganistão e do Secretário Geral das Nações Unidas.
Para elevar a ambição da agenda, foi convocado para Lisboa um Conselho Nato/Rússia. É uma reunião importante para estabelecer uma relação de cooperação entre a Aliança e o seu arqui-inimigo da Guerra Fria. Definir o papel da Russia no sistema-antimíssil da Europa, no desarmamento nuclear e até na missão afegã são os motivos da presença do Dmitri Medvedev em Lisboa, três anos depois de Putin ter estado em Mafra, na cimeira U.E. – Rússia.
Fechada a Cimeira da Nato, terá ainda lugar em Lisboa a Cimeira União Europeia /Estados Unidos, que irá centrar-se na cooperação em politica externa e economia.
Barack Obama será a “estrela das estrelas” dos dois dias de reuniões em Lisboa. Mas também aquele que tem a agenda mais carregada. O Presidente norte-americano começa a sua estadia com uma “visita bilateral”, que inclui reuniões com Cavaco Silva em Belém e José Sócrates em São Bento. É também o regresso de um presidente norte-americano a Lisboa (Bush esteve apenas nos Açores) dez anos depois da visita de Bill Clinton.
A Cimeira da Nato, a primeira organizada em Portugal, terá forte impacto em todo o mundo. Esperam-se manifestações mas também protestos menos pacíficos num contexto de alta segurança. A maior operação policial de sempre em Portugal implicará constrangimentos de circulação e medidas preventivas de segurança.
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